Porque é que quase todos os eventos de empresa se parecem (e se esquecem)

Quase todos os eventos de empresa se parecem e esquecem-se na semana seguinte. A minha opinião sobre eventos de empresa diferentes e o que cria memória.

Vou ser frontal sobre os eventos de empresa diferentes: quase ninguém os faz, mesmo quando jura que sim. A maioria das empresas troca um modelo cansado por outro igual, e o resultado esquece-se na semana seguinte.

Este é um artigo de opinião. Passo os dias por dentro de eventos, e é por isso que esta ideia não é confortável de escrever.

Porque é que os eventos de empresa são quase todos iguais?

Porque a maioria copia uma fórmula segura: uma sala de hotel, uns slides, um jantar e um brinde. É previsível e é confortável de organizar, e é exatamente por isso que não marca ninguém. Quando todos os eventos seguem o mesmo guião, a memória não tem onde se agarrar.

Há aqui um vilão silencioso. Chamo-lhe o improviso disfarçado de tradição: a ideia de que basta repetir o que se fez no ano passado para o evento estar tratado. Promete poupar trabalho e entrega salas cheias de gente a olhar para o relógio.

Existem ideias mais frescas, como mostra este guia de team building original para 2026. Mas nenhuma ferramenta salva um evento a que falta uma decisão sobre o que deve deixar nas pessoas.

O que torna um evento de empresa diferente?

Um evento de empresa diferente não se distingue pelo cenário mais caro, distingue-se pela intenção clara de criar ligação entre as pessoas. Em 2026 o setor confirma a viragem: o evento deixou de ser uma obrigação no calendário e passou a ser um investimento em cultura e em equipa.

Não é só impressão minha. Segundo o panorama de tendências para 2026 da American Express Global Business Travel, 85% dos profissionais de eventos estão otimistas para o ano, o nível mais alto em cinco anos, e o presencial é classificado como importante por mais de 97% deles. As empresas voltaram a juntar pessoas. Juntar, só por si, não chega.

Ponte 25 de Abril sobre o Rio Tejo, em Lisboa, vista ao fim do dia
Foto de Efrem Efre no Pexels.

O que é que as pessoas recordam mesmo de um evento?

Recordam as conversas, não as apresentações. Os melhores momentos de um evento quase nunca estão na agenda: estão no intervalo, no jantar, no caminho de volta. As análises do setor para 2026 dizem o mesmo, que um evento se mede pelas conversas que acontecem entre os pontos do programa.

Percebi isto a ver equipas antes e depois de partilharem uma refeição. O programa dá a desculpa para estarem juntas, a ligação acontece nas margens. Para o lado mais prático, há quem já tenha escrito o passo a passo de como tornar um evento de empresa memorável para os colaboradores. A minha opinião fica um degrau antes: primeiro decida o que quer que fique.

Onde fazer um evento de empresa diferente em Lisboa?

Num sítio que ajude as pessoas a baixar a guarda. Em Lisboa, a forma mais simples de fugir à sala de hotel é o Rio Tejo: tira a equipa da rotina, muda a luz e a paisagem, e dá conversa sem esforço. O lugar não é decoração, é o que permite ou impede a ligação.

Há quem prefira um espaço industrial recuperado, um claustro, um terraço. Quase tudo vale mais do que a mesma sala de sempre. Se está a pesar opções, ajuda ver a comparação entre eventos em barcos e espaços tradicionais antes de decidir.

Tenho um interesse declarado nisto, trabalho com eventos no Tejo desde 2014 e já vi mais de cem mil pessoas a bordo. Ainda assim, a opinião mantém-se tirando a Seaventy da equação: o que fica de um evento não é o cenário, é o que acontece entre as pessoas quando lhes damos motivo e espaço para falarem.

Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei sobre o Rio Tejo, em Lisboa
Foto de Pixabay no Pexels.

Fica o convite, não a venda: antes do próximo evento, pare e pergunte o que quer que as pessoas levem dali. Quando a resposta é honesta, o formato muda quase sempre. E se discordar de mim, diga de sua justiça nos comentários.

Questions fréquentes

Vale a pena investir num evento de empresa em 2026?

Vale, se o evento tiver um objetivo claro. Em 2026, o presencial é considerado importante por mais de 97% dos profissionais de eventos, e a tendência é tratá-lo como investimento em cultura, não como simples despesa. Um evento sem objetivo continua a ser dinheiro mal gasto.

Quantas pessoas deve ter um evento memorável?

Não há número certo, mas a tendência de 2026 são formatos mais pequenos. Grupos menores permitem conversas mais fundas e uma experiência mais cuidada do que uma convenção gigante. O que conta é a qualidade da ligação entre quem está presente.

Como saber se um evento de empresa correu bem?

Pergunte às pessoas, uma semana depois, do que se lembram. Se falarem de uma conversa ou de um momento, o evento cumpriu. Se só recordarem a agenda e o brinde do fim, ficou igual a todos os outros.

Equipa Seaventy. Este é um artigo de opinião e reflete a visão pessoal de quem o assina.

Fontes

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